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Entrevista à Ana Rita Simonka

1- Fale sobre como a música surgiu na sua vida como um caminho de busca interior.

Aos 12 anos de idade eu já queria ser uma cantora profissional. Nessa época cantava em alguns espetáculos de teatro, foi quando conheci a Yoga e fiquei interessadíssima nesse universo.

Conhecer as técnicas de pranayama naquela época foi tudo de bom para mim, aprender a respirar canalizando a energia nos chakras,alongar o corpo,e fazer naturalmente a colocação de voz, e muito mais foi sendo apresentado pela filosofia da Yoga. Através dos asanas ,junto com os mantras e a meditação você vai se conhecendo dia-a-dia cada vez melhor, os seus bloqueios e os seus limites vão surgindo pouco a pouco na tela da mente, em partes do seu corpo e no ritmo da sua respiração,nesse reconhecimento um trabalho longo e continuo se manifesta, um trabalho de lapidação interior.

A conecção com a energia da Luz é fundamental nessa hora na renovação da alma, deve haver uma pré disposição de um trabalho diário,continuo de alta observação, só assim é possível identificar os lixos que habitam a mente e fazer a depuração.

Quando se canta um mantra está sendo cantada a palavra de Deus de forma melódica e isso tem poder, tem Luz. Nesse caminho você vai se preocupando em ter qualidade nas suas palavras, no som que você emite para você e para o outro,desse modo acaba sendo natural que pessoas e seres com vibrações semelhantes se aproximem para ensinar e aprender. Assim, desde menina a musica e a Yoga vem irmanamente em minha alma acrescentando o melhor pra mim.

2- Você tem gravações de canções tradicionais do oriente com arranjos muito pessoais, contemporâneos. O que o oriente tem a acrescentar para a nossa vida, e especialmente, para a MPB?

O povo oriental é muito antigo, e as informações sobre a música estão ligadas diretamente as divindades, os elementos da natureza, seres de outras constelações,dimensões, a criação do universo e ao Criador. Reconhecer que você é parte dessa criação Divida é fundamental para estabelecer a troca entre orientais e ocidentais de forma enriquecedora para ambos.

A música nordestina tem forte influência da música árabe, na harmonia, nos Modos eólios e mixolidios….

Uma cantora indiana no aquecimento de voz e na afinação ,junto com seus músicos, entoa sílabas que vão harmonizando e aquecendo os seus chakras, proporcionando uma afinação individual e do grupo com a energia superior da Luz.

Cantar Hava Naguila e Gaiatry Mantra acompanhadas somente do som das águas foi um desafio para mim pela simplicidade e a força que cada musica tem, assim como cantar Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira ,com instrumentos orientais. Sinto que a música oriental, seja ela instrumental ou cantada, pode acrescentar para nossa vida formas menos materialistas de se lidar com o “produto”da arte de um modo geral, te incentiva a apresentar,desenvolver sua arte sem se preocupar se ela será capa de revista ou não, mas que esteja afinada com o seu dom.Quanto a parte técnica,os orientais são mestres em utilizar-se dos microtons,em instrumentos e na voz, os asiáticos
também!Essa intimidade com sons dessa natureza pode acrescentar em muito pra MPB

3- Como você vê a espiritualidade nos dias de hoje, e qual o papel da música nesse processo da nova consciência ?

Nos estamos vivendo o Apocalipse, isto é um fato, até bem pouco tempo atrás ,falar sobre Tsunamis,grandes explosões de vulcões, deslocamentos de placas tectônicas…era papo de “cientista maluco”, naturebas e exotéricos , e no entanto o “cenário” ficou pronto nos Vedas você encontra informações muito preciosas sobre o que esta se passando no planeta com a raça humana, tudo foi avisado já na Idade do Ouro.

Quando você tem consciência das suas escolhas, você se responsabiliza pela ação e reação das suas atitudes, a espiritualidade se expressa de acordo com a capacidade de entendimento de cada um . O Apocalipse é a bondade de Deus sendo manifestada em nossa dimensão,ninguem pode isentar-se da influência das força da natureza; comportamentos inadequados,falsos profetas, gente de bem padecendo…nada disso esta “esquecido”pela Luz.

Estamos vivendo uma grande faxina dentro e ao redor do planeta terra, na nossa alma, no corpo físico e energético . A musica tem o poder de dissolver tensões, de reunir pessoas para celebrar, sendo usada para o bem, ela nos aproxima do Céu Grande é o poder que move o universo,e você tem de usar a criatividade de uma forma contemporânea para dividir esses conhecimentos musicalmente, capacitando e inspirando o ouvinte , quando você compreende as Leis da Natureza, confia em si e no futuro isso tudo acontece de verdade!

4- Fale sobre o período que passou na India, suas viagens à Israel, o que você foi buscar nessas peregrinações ? Acha que dá para “peregrinar’ no Brasil ? O que seria uma rota mística brasileira ?

Sou filha e neta de libaneses imigrantes, conhecer o oriente foi tudo de bom pra mim,me senti mais perto dos meus ancestrais e senti o sangue do mediterrâneo em minhas veias,literalmente! Turquia, Grécia, Egito,Marrocos são lugares que vão ficar marcados pra sempre dentro de mim.Agora estar na Índia, conhecer pessoalmente a vida dentro de um ashram, já sendo professora de yoga aqui no Brasil,foram três meses onde a alucinante forma de vida do indiano, sob o meu ponto de vista, só fez ampliar a minha consciência de vida em questões político-econômicas e culturais, espiritualmente eu continuo aprendendo com o hinduísmo.

Existem locais de poder no Planeta,locais com grande fluxo de energia divina, toda peregrinação feita por um devoto já tem um objetivo estabelecido anteriormente muito alem de uma simples visita a locais sagrados,seja para cumprir uma promessa, ou se auto castigar, cada religião tem suas dicas para peregrinação de acordo com suas crenças,no Brasil, existem vários roteiros de peregrinação, no Rio Grande do Sul você pode acompanhar por toda a fronteira , no interior de São Paulo existem peregrinações pelos antigos Quilombos,as romarias que levam alguns dias para se chegar as igrejas…, quando falo em local de poder, falo sobre a importância de se identificar locais que promovam a renovação da sua energia de forma vigorosa,a alma reconhece um local assim, pq você vai saber que a felicidade é um estado de espírito, sentir uma leveza no coração, vontade de bailar,cantar, tudo porque ouve uma renovação energética através deste local.

Pra mim, atualmente ,uma rota mística no Brasil é ficar um tempo com os Caiapós e seguir até o Xingu no Amazonas, e claro ficar um tempinho por lá!

5- Yoga e música: o que pode um artista aprender com o Yoga? O que pode um yogue (uma yoguini ) aprender com a Arte ?

Um homem sábio é modesto quando esta em uma posição de poder, pq sabe sobre o ciclo da vida e suas alternâncias, no caso de um artista ter uma desidentificação do Ego o torna uma pessoa melhor,conforme ele vai vencendo as influências corruptoras, isso é um trabalho bem particular, com você mesmo, outra coisa bacana é a meditação,no inicio você tem simplesmente de observar o movimento interno da mente, aquela falação toda, sensações térmicas,lembranças e mais lembranças e você ali só observando, sem julgar;com o tempo você consegue observar a qualidade dos pensamentos, se brotam do seu interior ou se procedem de energias de terceiros, se você continuar com uma postura interna de somente observar, esse tumulto na mente naturalmente silencia, aí você entra num estágio chamado prathyahara, abstração dos sentidos, você fixa a mente em um ponto imaginário entre as sobrancelhas e naturalmente vai entrar em meditação,no silêncio interior,o que vem depois disso é só LUZ,não tem essa de uma pessoa entrar em meditaçãoe deixar a cabeça pender,isso ainda não é a meditação, quando ela acontece a mente esta totalmente focada e consciente, tem que ir aos poucos, a qualidade de vida que a meditação proporciona é muito valiosa. A Yoga tem muita coisa bacana,praticar os asanas é sempre prazeroso, quando você consegue realizar um asana que nem você acreditou ser possível realizar um dia, é maravilhoso, e o mais bacana é o reflexo que isso te proporciona no dia a dia, por exemplo alguém que fuma cigarro a muitos anos,com um tempo de prática corta totalmente o vicio por uma tomada de consciência corporal ,ela passa a ver o tabagismo como doença e não um prazer pessoal.

Na arte, não tem essa de ser arrogante e achar que o seu modo de vida é melhor ou pior do que o outro, é muito difícil você influenciar, trocar com alguém que não tenha nada em comum,mas eu posso assistir um espetáculo sobre um determinado país, que eu nem me identifico ,mas adoro o estilo musical, e com isso eu me aproximo do outro ,e nessas acabo encontrando outras coisas nas quais eu me identifico,mas que estavam encobertas por um véu de preconceito.